terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Sobre a falta de incentivo à cultura popular e a degradação do gosto musical




De fato a cultura aqui no Ceará e em Fortaleza especialmente é feita aos pedaços. Eventos relacionados verdadeiramente a cultura popular não recebem apoio devido, talvez por nossa própria culpa. Eu realizo há alguns anos cantorias de viola no bairro em que vivo (Curió). E já passei o vexame de ter dois grandes nomes do repente cearense com uma mixaria no prato. Alguns podem achar o cantador um esmoléu, mas a verdade e que o poeta canta por duas razões: em primeiro porque tem o dom da poesia e gosta do que faz; em segundo porque precisa sobreviver, esta segunda opção muitas vezes se sobrepõe à primeira, pois todo ser vivo tem a persistência natural de querer continuar existindo e com o poeta não é diferente. Principalmente quando se constitui família. E saiba de uma coisa, esse cantador é só um homem igual a você também possui defeitos, mas ele possui uma arte. Portanto antes de fazermos discursos eloqüentes sobre a valorização da cultura popular coloquemos dinheiro no prato do cantador, e do artista seja lá ele quem for e pra não continuarmos achando que é esmola, peça que ele cante uma canção ou faça versos!
Na última cantoria que realizamos fizemos com o apoio da Associação dos moradores do bairro, foi muito boa! Os comerciantes do bairro puderam participar ajudando com contribuição financeira e logística. A princípio como o evento foi executado a título de experiência visitamos apenas seis comerciantes para pedir apoio na realização da cantoria. Qual nosso objetivo? Fazer eventos do mesmo cunho a pelo menos cada dois meses, assim esperamos combater a onda de “mau gosto” musical que vem se instalando no seio popular. Sinto-me extremamente preocupado quando me dirigindo ao colégio para deixar minha filha, chega uma “mãezinha” trazendo sua filha menor de dez anos e a criança escutava uma música pelo celular. E qual era a letra da música? Bem antes de citar parte da letra inconveniente é conveniente explicar o uso do “palavrão” * aqui neste texto. Utilizo-o com a intenção de expor sem “arrodeios” toda a minha critica ao referido “mau-gosto”, deste modo espero ganhar a simpatia dos leitores para minha causa. A letra da música trazia o seguinte refrão:

Buceta no chão!
Buceta no chão!
Buceta no chão!

Só isso!
Só isso?
Agora sem moralismo (coisa que particularmente abomino)! O que se espera de uma criança do sexo feminino que cresce apreciando este tipo de “música”? Se é que se pode chamar isso de música. Afinal de contas não tem nada a ver! Se quero ouvir esta “música” com minha companheira, meus amigos etc. Agora, induzir uma criança a escutar tal coisa é crime contra natureza dela! Tal conduta é perniciosa, pois impõe maturidade sexual incompatível com a idade dela. O trabalho de orientação para nossos filhos não é de exclusividade do Conselho Tutelar nem do professor, mas acima de tudo é uma obrigação das mães e dos pais. Como uma criança pode aprender uma boa conduta se o pouco tempo que o professor lhe dedica é destruído em casa pelos pais, que no caso deveria reforçar o que o professor plantou.





Portanto minha senhoria
Me desculpe a grosseria
Coloquemos o dinheiro
No prato do cantador
Seja lá ele quem for
Muito feliz vai ficar
Pois é pago pra cantar
E pra não dizer que é esmola
Mande ele fazer trova
Pro dinheiro ter valor

Marcos Aurélio
* Mais informações sobre o conveniente uso de “palavrões” recomendo o texto no seguinte endereço: http://www.overmundo.com.br/overblog/uma-palavrinha-sobre-o-palavrao

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