sexta-feira, 1 de abril de 2011

Poesias e Poemas

Relendo O Banquete -Temas: CORDEL

Eu vim dissertar aqui
Com a alma e o coração
O que achei interessante
No diálogo de Platão
Que pra falar de amor
Usou de tanto macete
Através dos convidados
Que estavam no "Banquete


Na verdade "O Banquete"
De banquete pouco tinha
Era mesmo uma festa
Regada a muito vinho
E por estarem de ressaca
Os convidados decentes
Resolveram então fazer
Uma coisa diferente



Não quiseram nem beber
Como era de costume
Foram louvar o amor
Em claro e alto volume
Então o retórico FEDRO
Sendo o primeiro a falar
Prestou homenagem a EROS
Não cansou de elogiar



Disse FEDRO que o deus EROS
Faz o homem ser virtuoso
Envergonhar-se do mal
Ser devoto e corajoso
Que os nascidos do amor
São divinos em desmedida
E
serão os mais felizes
Nesta e na outra vida



PAUSÂNIAS recriminou
De FEDRO o discurso feito
Achou que há mais de um EROS
E para falar direito
Teria que dividir
Em duas partes por igual
Homenagear a alma
E o aspecto sexual



Falou que ao primeiro EROS
Devemos render tributo
Por inúmeras qualidades
E o bem absoluto
Já para o segundo EROS
Por ser apenas corporal
Representa sofrimento
Está mais próximo do mal






Chegou doutor ERIXÍMACO
E a palavra tomou
Concordando com PAUSÂNIAS
A respeito do amor
Acrescentou que o deus EROS
Tem grandes e vastos poderes
Não se limita aos homens
Abrange todos os seres



Disse que o grande EROS
É dos contrários à harmonia
Que essa atração oposta
Entre as coisas de valia
Une o corpo e a alma
O úmido ao seco da terra
Paz entre homens e deuses
E felicidade eterna



Chegando a vez de ARISTÓFANES
Falar do deus do amor
Ele não fez elogios
Tão pouco cantou louvor
O que ele falou de EROS
E o porquê de amar
Viera bem do princípio
Do homem o originar



Eram três tipos de humanos
Homem-duplo Mulher-dupla
Também o homem- mulher
Que existiam sem culpa
Por se sentirem completos
Quiseram subir aos céus
E por tanto atrevimento
Foram punidos por ZEUS



ZEUS com sua fúria insana
Ao meio os homens cortou
E é assim que se explica
As histórias de amor
Essa busca alucinante
Atrás da felicidade
Que chega quando se encontra
A nossa outra metade



AGATÃO o anfitrião
Era um poeta astuto
Atribuiu ao deus EROS
Uma porção de atributos
Era o mais belo o mais jovem
O mais perfeito da história

Inspiração e beleza
Dos deuses e homens a glória



É chegada a vez de SÓCRATES
A fala mais esperada
Quis se ausentar do discurso
de uma forma elaborada
Mas os convidados todos
Insistiram bravamente
E o caro colega SÓCRATES
Começou bem paciente



Falou que sobre o amor
Não iria elogiar
Ia usar outro método
Para de EROS falar
E se os presentes da festa
Tivessem grande paciência
Ia tratar da verdade
Buscar de EROS a essência



Ele começou falar
De como EROS nasceu
Filho de PÊNIA a pobreza
Herdou um aspecto seu
A carência e o desejo
"Tá" sempre algo a querer
Seu pai é POROS a riqueza
Dele herdou como fazer
Pra conseguir o que quer
Nem que seja pra perder



Que EROS por ser carente
Quer achar a plenitude
Pra se sentir saciado
Todo cheio de virtude
E pra se sentir completo
Disse assim bem amiúde
Que essa ânsia e ausência
Que invade o coração
É o amor pleno que é
Desejo de perfeição



E o que é perfeição?
Integridade harmonia
A forma plena perfeita
Sem defeito ou avaria
Então a necessidade
Dessa busca incessante
Nos corpos entre a natureza
É porque o amor é
Um desejo de beleza



E onde está a beleza?
Nos corpos que geram filhos
Nas coisas materiais
Imperfeitas ou com brilho?
Na alma no intelecto,
O belo, o uno, o real?
"Cadê" a felicidade?
Será somente aparência?
Ou a verdade do amor
É encontrar sua essência?





Então a ideia do amor é
Desejo das formas belas
E ser idêntico a si mesmo
Pleno, cônscio, sem balela
Sendo o amor intelectual
A busca do inteligível
O desejo de conhecer
O amor à sabedoria
Esse amor pelo saber
É a própria FILOSOFIA



Ao terminar seu discurso
Foi Sócrates elogiado
Pelos presentes e por um
Que chegou embriagado
O bêbado era ALCIBÍADES
Rapaz bonito educado
Que não quis falar de EROS
Alegou estar cansado
Preferiu fazer pra SÓCRATES
Um discurso apaixonado



E foi assim que entendi
Essa obra de PLATÃO
Que o amor nada mais é
Que a busca da perfeição
Que o amor estabelece
Relações entre as pessoas
Que o amor é a verdade
Que o ser perfeito consome
Que é chamado amizade
Esse amor que une os homens



Peço desculpas se não
Consegui passar direito
A história desse deus
Que faz o SER ser perfeito
É porque aprendo aos poucos
E ainda faltam mais anos
Prometo que com o tempo
Buscando a sabedoria
Vou dissertar com mais força
O amor à FILOSOFIA.


de Maria das Dores da Silva
Juazeiro do Norte - CE - por correio eletrônico Coletado no sitio:
http://www.pucrs.br/mj/poema-cordel-111.php

Um comentário:

  1. Para aqueles que acham que filosofia está distante da poesia, estes versos são a prova da engenhosidade poética

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